20/08/2008
*Coluna Econômica – 20/08/2008 *
A Petrobrás preparava-se para se transformar na empresa de energia verde quando veio a descoberta do pré-sal. Apesar do extraordinário desafio do pré-sal,a bioernergia é importante demais para ficar em segundo plano.
O papel de cuidar da área ficou em uma nova subsidiária, a Petrobras Bioenergia, criada com a estrutura interna da empresa que já trata da questão. Já nasce grande, explica seu presidente Alan Kardec.
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A nova empresa será a junção das áreas internas da Petrobras que já trabalhavam com o produto.
Por exemplo, Abastecimento cuidava do etanol. Há uma meta de produção de 4,75 bilhões de litros/ano até 2012, que deverá ser mantida no novo planejamento estratégico da companhia.
A idéia será utilizar o diferencial da Petrobrás para parcerias que possam deslanchar os negócios sem comprometer muitos recursos internos. No caso da exportação, foi desenvolvido um Complexo Bioenergético, parceria com a empresa japonesa Mitsui (20%), Petrobrás (20%) e um produtor nacional tradicional (Cerrado Açúcar e Álcool). O investimento total será de US$ 227 milhões.
Para cada projeto será seguido esse modelo tripartite: um parceiro internacional que traga não apenas recursos, mas mercado; um parceiro nacional que produza álcool; e a Petrobras com a logística, os contatos internacionais e imagem internacional forte. O primeiro acordo de acionistas permitirá a exportação de 200 milhões de litros/ano para o mercado japonês.
Para atingir a meta de 4,75 bilhões de litros/ano, serão necessários 20 complexos similares.
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Uma segunda área da Petrobras que tratava do tema era a de Gás e Energia que cuidava das unidades de biodiesel – que passarão também para a Petrobrás Bioenergia. A primeira unidade foi inaugurada em Candeias; a segunda em Quixadá, a terceira em Montes Claros. Também nessa área estão sendo costurados acordos internacionais.
Para o biodiesel, a estratégia para 2008-2012 será a de produzir 938 milhões de litros/ano e liderar o mercado produtor.
A ênfase continuará sendo a produção familiar, através do Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel. Para obter o selo combustível social (e poder participar dos leilões da Agência Nacional de Petróleo), tem que comprar um determinado percentual de agricultura familiar. Para o nordeste, a exigência é de compra mínima de 50% da matéria prima. A usina de Candeias foi inaugurada com 58%, basicamente com fornecimento de dendê, amendoim, soja e girassol.
Outro caminho promissor, segundo Alan Kardec, será o reaproveitamento de óleo de fritura de alimentos. Já existem ONGs organizadas com esse propósito.
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Uma terceira área é a de pesquisas, que continuará no Centro de Pesquisas da Petrobrás (Cenpes), que receberá mais recursos. O investimento em tecnologia será essencial. O Cenpes está investindo pesado em etanol celulósico. A tecnologia já existe mas ainda não é economicamente viável.
Em uma mesma área de cana destinada ao etanol, usando bagaço e palha se amplia a produção em 60%.
*8 ou 80*
O pré-sal se tornou a coqueluche da indústria petrolífera mundial. Com os recursos provenientes da sua exploração, pode-se resolver o problema da Educação, da Saúde, da inclusão social, da industrialização do país. Ou pode-se perder o rumo, mercê do jogo de enormes interesses que começará a ser deflagrado.
*O desafio*
Como energia, pré-sal, Amazônia, as oportunidades futuras globais estarão por aqui. O grande desafio será montar estratégias na área científico-tecnológica juntando Ministério de Ciências e Tecnologia, Fapesp, universidades federais e as estaduais de excelência – para prospectar o mundo e identificar cérebros na área acadêmica.
*Recessão à vista*
Em relatório, o banco suíço UBS apontou que a economia dos Estados Unidos dificilmente escapará de uma recessão no segundo semestre deste ano. Os analistas do banco destacaram que as medidas adotadas para conter o avanço da crise deverão perder efeito. Com isso, crescem as chances, também, de desaceleração das economias européias, principalmente, da zona do euro.
*Ásia blindada*
Por outro lado, o UBS destaca que os países asiáticos deverão se manter firmes pelos próximos seis meses, atravessando a crise sem impactos consideráveis. Os analistas destacam, contudo, que deverá haver desaceleração da economia do bloco, mas em patamares bem menores que nos Estados Unidos e na Europa. A ressalva fica com a economia japonesa, que está à beira de uma recessão.
*Oferta menor*
Caso os preços do petróleo mantenham a trajetória de queda, a Venezuela defenderá um corte de produção, no próximo encontro da Organização dos Países Exportadores de Petróleo, em setembro. A idéia, inclusive, já foi cogitada pelo próprio cartel. Nesse caso, eles defendem um piso de US$ 100 antes de tomar qualquer medida mais drástica. Ontem, o petróleo fechou em alta de 1,47%, cotado a US$ 114,53.
*Juros*
O Banco do Japão manteve as taxas de juros locais em 0,50%, confirmando as expectativas do mercado. Pesaram na decisão o movimento de alta do custo da energia e das matérias primas, e o esfriamento da economia norte-americana, que tem impacto direto nas exportações japonesas. Além disso, a valorização do iene e a queda do consumo foram apontados como fatores de alerta para a economia japonesa diante da crise global.
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